Grau V ao Grau X - Introdução

Em algumas ocasiões, pessoas têm me pedido para escrever algum tipo de guia do estudante para “O Caminho do Adepto”, de Franz Bardon. Em cada vez que isso acontecia, eu respondia com algo como “Não consigo pensar em nada para acrescentar”. E, por anos, eu mantive essa opinião, mas as minhas experiências como participante num grupo de discussão online sobre os trabalhos de Bardon me levaram a reconsiderar esse sentimento. Dessa maneira, quando me pediram para reescrever o FAQ de Franz Bardon que aparece num site popular, consenti em escrever algumas coisas sobre os primeiros quatro Graus de CVA. Pouco eu sabia de imediato que eu encontraria todos os tipos de coisas para dizer! Viciado em palavras como sou, terminei escrevendo não menos que 37 páginas de comentários e perguntas a questões comumente perguntadas. Mesmo assim, centenas de páginas adicionais poderiam ser escritas.
Tornar coisas compreensíveis e apresentar conceitos de uma maneira que seja fácil para o leitor assimilar são a responsabilidade do escritor. Mas a responsabilidade do escritor para por aí – cabe ao leitor adquirir o entendimento. E é o leitor que não compreende o bastante o que o autor quer dizer que é responsável por tentar descobrir a resposta. Isso é, com certeza, a falha de uma coisa escrita – não existe chance para diálogo, nem colocar suas questões para o autor em busca de esclarecimento. Portanto, muitas coisas escritas permanecem incompreendidas por muitos, ou pelo menos parcialmente incompreendidas.
No caso dos livros de Franz Bardon, isso é fundamentado pelo fato de que, na medida em que ele os escreveu, se colocou na perspectiva do estudante que está envolvido verdadeiramente com o labor do material que ele descreve. Por exemplo, quando ele descreve os exercícios do Grau V em CVA, ele diz coisas que apenas um estudante que fez o trabalho dos exercícios dos Graus I, II, III e IV compreenderá. Dessa forma, o estudante que está no meio do Grau II, ou o estudante que está lendo CVA pela primeira vez e nem começou o trabalho, compreenderá o que Bardon escreveu sobre o Grau V menos completamente do que alguém que completou o trabalho do Grau IV.
Isso certamente aconteceu comigo e, na medida em que eu progredia pelos Graus, ficava repetidamente surpreso que eu tinha compreendido mal coisas na mera leitura do texto que agora faziam perfeito sentido porque eu tinha feito o trabalho que levava até aquele ponto no caminho. Foi dentro dessa atitude que eu encontrei uma razão para continuar meu comentário sobre CVA além do limite do Grau IV que eu tinha estabelecido anteriormente.
Eu firmemente creio que toda pessoa que progrediu em CVA até o início do Grau V não tem necessidade de conselhos externos. O estudante do Grau V terá dominado as técnicas mais rudimentares sobre as quais o restante do curso é construído. Ainda mais, o estudante terá aprendido a habilidade de descobrir as respostas por si mesmos e terão, por necessidade, aperfeiçoado essa habilidade a uma agudeza de navalha. A esse ponto, CVA se torna muito mais fácil para o estudante.
Essa fase, caracterizada pela habilidade do estudante de perguntar as suas questões internamente e procurar as respostas através de sua própria experimentação, é parte necessária do caminho da iniciação. Na medida em que você trilha o caminho da iniciação, a responsabilidade para o seu progresso cai mais e mais em suas próprias mãos. A curiosidade e a inventividade são aliadas importantes do estudante da magia e existem certas passagens nas quais elas são tudo que você tem à sua disposição para trabalhar.
Eu tentei encontrar um equilíbrio entre dar a esse fato o seu respeito devido e tentar o meu melhor para abster-me de dar incentivo a aqueles que desejam pular mais longe do que eles estão preparados. Meu compromisso foi fazer duas coisas em relação a CVA: primeiro, eu limitei meu comentário detalhado e sugestões práticas à seção de Teoria e exercícios dos Graus I até IV.
Segundo, escrevi um comentário sobre os Graus V até o X que esboça alguns dos pontos nos quais o modo de Bardon de escrever, do ponto de vista imediato do estudante, interfere com a compreensão do leitor despreparado. Não oferecerei meu conselho prático para esses Graus posteriores a não ser em correspondência pessoal ou conversação com estudantes praticantes desses Graus em particular. O mesmo é verdadeiro para os livros segundo e terceiro de Bardon, “A Prática da Evocação Mágica” e “A Chave para a Verdadeira Quabbalah”. Devo adicionar aqui que não espero ser perguntado sobre tais questões. Todas as pessoas que conheço que alcançaram esses estágios em sua iniciação não precisam pedir conselho de outra pessoa, e consequentemente eles não pedem.
Colocando toda a minha lógica interna de lado, me preocupo pelo fato de que aqueles que leem CVA ou aqueles que esperam ansiosamente pelos próximos Graus terão a ideia errada do que isso tudo realmente significa. Em muitos lugares de CVA, Bardon teve de usar metáforas que só podem ser compreendidas se você já souber o que foi a base para construir a metáfora, em primeiro lugar. É difícil para o leitor criar as conexões sutis entre o que é aprendido em um Grau e o que é, então, aplicado de uma maneira nova no próximo Grau.
Minha preocupação é especialmente aguda quando chega aos PEM e CVQ de Bardon. Muito frequentemente encontrei estudantes que pegam PEM e querem COMEÇAR com evocação enquanto ignoram totalmente o que Bardon diz (repetidamente) sobre tendo de se alcançar primeiro o fim do Grau VIII de CVA (ou o seu equivalente por outros meios) antes de começar o trabalho de PEM ou CVQ. É fácil pensar, da mera leitura desses dois livros, que é realmente possível ignorar os pré-requisitos ditos por Bardon, mas a realidade é uma coisa inteiramente diferente e a advertência de Bardon é completamente verdadeira. Esse tipo de incompreensão de PEM é, em minha opinião, devido a uma falta de experiência prévia na magia genuína e a consequente inabilidade de se verdadeiramente compreender o significado mais profundo do que está sendo dito. Isso é inevitavelmente natural e o que eu disse deve ser entendido apenas como uma declaração factual que deve ser tratada abertamente e não como uma crítica.
Por essa razão acima de todas as outras, tentarei, através de meu próprio comentário, ajudar o leitor a pelo menos se tornar consciente dos lugares nos quais essa é uma importante adição à sua compreensão do que o autor quis dizer mais profundamente. Se os meus comentários adicionam realmente à sua compreensão de CVA está fora de minhas mãos – tudo que posso prometer é que tentarei fazer o meu melhor.
Peço que, na medida em que você lê meus comentários, faça-o com esse pensamento em mente: o único professor verdadeiro é a experiência. Até se mil sábios gastassem um bilhão de palavras tentando explicar os Mistérios, você não compreenderia as suas totais implicações até que tenha penetrado o que espreita além do véu. Contudo, nunca deixe esse fato lhe dissuadir de fazer o seu máximo esforço para penetrar esse véu – “é apenas teia de aranha”, como diz o ditado. Quanto mais você penetrar, mais profundamente sua compreensão crescerá; e, quanto mais profunda a sua compreensão, mais profundamente nos Mistérios você penetrará. Mantenha as suas conclusões com mãos escorregadias de modo que você possa sempre ser capaz de renová-las. Sempre permaneça querendo aprofundar a sua compreensão – a principal barreira quanto a isso é nos segurarmos firme demais a nossas conclusões. Adote as suas próprias conclusões, não aquelas de outros. Isso é especialmente verdadeiro, considerando-se que tudo que posso oferecer a você aqui são as minhas próprias conclusões, e as suas podem ser muito diferentes das minhas. O melhor que eu espero é que ler algumas das minhas conclusões lhe inspirará a se questionar e expandir as suas próprias conclusões.