Evocação de Pyrhum - Justin Beldwell

Na medida em que entro na esfera de Pyrhum, vejo o mundo como foi primeiramente concebido: uma esfera derretida, composta de fogo. Não há nada sólido, e o próprio céu é extremamente calorento. Eu me recomponho e imagino o sigilo de Pyrhum à minha frente, em um fogo brilhante e quente. Falo o seu nome e, na sala onde meu corpo reside, ouço um craque fraco na vela acesa à minha direita. Chamo novamente Pyrhum e a sua mente encontra a minha. Ele vem até mim com uma velocidade de raio e sua atenção e consciência são como uma luz de uma lanterna apontada para mim. Nós nos conhecemos e nos cumprimentamos. Falo o seu nome enquanto trago de volta a minha consciência para o meu quarto e para o plano astral próximo. Meu espelho tem a imagem dele, mas, na maior parte do tempo,  nos falamos de mente a mente.
Temos conversas triviais e introduções. Eu sinto meu corpo querendo se mover como se eu tivesse tomado uma dose de cafeína. A presença de Pyrhum faz com que se fique muito ativo e cheio de energia. A sensação de um feixe de luz de lanterna é a aura externa de Pyrhum. A aura interna dele pode ser descrita como afiada e hostil, como se fossem cinco espadas com um centro de fogo se movimentando. Eu inicio as perguntas.

O que pode ser alcançado na magia através do elemento fogo?

Tudo relacionado à vontade e ao desejo têm sua origem no elemento fogo. Flashes de inspiração vêm da vontade de saber e a luz da consciência procurando e encontrando o desejo. Uma vez que se domina o fogo e a vontade, nada pode ser negado. Ter-se-á o desejo e a vontade procurará imediatamente a solução. É uma força própria que não pode ser contida.

Como se alcança o domínio da vontade e do fogo?
        
Para libertar a vontade interna e o domínio do fogo, deve-se tomar metas que são difíceis de se alcançar. Então, deve-se fazer tudo que é possível para conquistar essa meta de modo absoluto. A sensação que vem com o sucesso é a vontade interna e o fogo. Mais metas conquistadas fortalecerão esse poder até que o indivíduo se torne familiar com ele.

Bardon fala de humanos fazendo pactos com espíritos. Você tem qualquer conhecimento disso ou de humanos que o fizeram?

Sim. Magos fazem pactos e entram na esfera do fogo ou em qualquer esfera de um ser com o qual desejam fazer um pacto para terem um domínio maior de um elemento ou poder. Isso é para magos que têm a Visão Extensa*. Magos com a Visão Extensa não vêem problemas com um pacto e sabem que isso acelera seu desenvolvimento e domínio sobre os elementos. O trato é feito de antemão e um espírito familiar é assinalado para o mago, de modo que ele possa aprender sobre o elemento no plano físico. Depois da morte do mago, ele entra na esfera do elemento e trabalha com o familiar e sob o chefe com o qual o familiar trabalha. Isso ajuda não só o mago, mas também o familiar. Espíritos se tornam mais poderosos através de sua interação com um mestre humano. Uma vez que o mago tenha servido seu período de tempo na esfera, ele retorna para o plano material com um domínio maior sobre um elemento. Essas são pessoas que ultrapassam as expectativas naquele elemento em sua vida e acham fácil trabalhar com esse poder. Há muito a contar sobre esse tipo de trabalho.

Você poderia explicar mais sobre como se trabalha com um familiar do elemento fogo?

Familiares dependem do trato feito e do que o mago quer trocar pelo trabalho com o espírito. Familiares inferiores precisam de uma chama que constantemente queima e certas ervas a serem trazidas como oferendas. Esses familiares oferecem principalmente inspiração e alguma ajuda menor. Eles apreciam extremamente a chance de trabalharem com um humano, porque eles se desenvolvem rapidamente através disso. Familiares superiores requerem maiores oferendas, mas dão mais ajuda. Eles participam em rituais e podem encontrar espíritos que responderão quaisquer questões seu mestre possa ter. Em qualquer um dos casos, o pacto deve ser totalmente explicado e em hora alguma o mago entrega a sua alma, a não ser temporariamente, para aprender mais sobre o elemento, como discuti anteriormente. Um trato pode ser até feito para acontecer durante a vida do mago, enquanto ele dorme. Outros pactos podem ser feitos também. Deve-se falar com um chefe da esfera primeiro para se receber o familiar correto.

Eu agradeço Pyrhum, e pergunto se posso meditar com ele por alguns momentos, e ele concorda. Depois disso, eu novamente o agradeço e o levo de volta para a sua esfera. Então termino o ritual e escrevo o que eu preciso e desenho Pyrhum. Como você pode ver, ele é uma bela criatura com olhos muito grandes.
Embora Pyrhum tenha uma aura potente que é muito ativa, ele não é o que eu esperava da descrição de Bardon. Eu esperava um ser muito poderoso com o qual seria difícil de lidar. Pyrhum foi gentil e rápido com as respostas. Ele também me surpreendeu com a informação sobre pactos. Eu esperava algo na linha de que humanos que trabalhavam demais com o elemento fogo (ou qualquer poder ou força sobre as outras) eram simplesmente atraídas para o elemento fogo por ressonância, até que eles pudessem se libertar através do trabalho com ele. A resposta de Pyrhum fez sentido no esquema maior, cósmico das coisas, depois de eu pensar sobre isso. Se esse é realmente o caso, eu posso entender por que Bardon disse o que disse sobre pactos. Ele estava provavelmente preocupado com que seus leitores fossem imediatamente assinando pactos para dominarem os elementos. Eu consigo compreender os benefícios e perigos nisso. Se um mago ou um novato que não estivesse verdadeiramente preparado para tal pacto concordasse com um, eles provavelmente não tentariam alcançar domínio em uma vida como o trabalho de Bardon nos ensina. Isso poderia impedir o crescimento de um mago no sentido de não ser absolutamente equilibrado e útil para a humanidade como poderia ser. Deve-se alcançar a Visão Extensa antes de se tomar qualquer decisão dessa natureza e então, apenas através de profunda meditação, e possivelmente perguntando a Providência Divina diretamente ou ao anjo pessoal.

* A Visão Extensa é, aparentemente, a habilidade de se ver que se reencarna para, com o tempo, dominar nossa esfera. A Visão Extensa é uma visão paciente do desenvolvimento espiritual e confiante na ordem natural de que, com o tempo, o domínio pode ser alcançado. Eu também intuí que isso era uma prática comum na “velha religião” ou cultos mágicos de tempos antigos. Seria similar a monges orientais, que trabalham em um aspecto do divino por várias encarnações e, uma vez dominado, passariam para o próximo até que todos os aspectos tenham sido dominados e total iluminação tenha sido alcançada. A Visão Extensa não é uma noção New Age da reencarnação, e sim o CONHECIMENTO de que se reencarna. Para usar uma referência de filmes, não é Morfeu contando a Neo que ele é “O Escolhido”, mas Neo finalmente acreditando absolutamente que ele é o Escolhido. Toda a informação da Visão Extensa foi transmitida no que eu chamo de “pacote” de informação. Um espírito diz algo do qual eu não tenho ideia e, em vez de explicá-la, a informação é revelada ao mago instantaneamente. Algumas vezes, pacotes maiores podem ser enviados que levarão dias, semanas, meses ou até mesmo anos para “desempacotar”, dependendo do desenvolvimento do mago.